Loading...

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Brasileiros no pódio da beleza


A Olimpíada de Pequim pode não ter sido uma das melhores em termos de medalhas para o Brasil, mas nem por isso se pode dizer que os esportistas brasileiros fizeram feio nas competições na China.Atuações à parte, alguns atletas ´canarinhos´ se destacaram em outro quesito: o da beleza. E mesmo que não tenham conquistado medalhas de ouro, deram à torcida feminina bons motivos para acompanhar os jogos atentas.Para fazer uma homenagem à Olimpíada, que termina hoje, o Zoeira resolveu premiar com medalhas de ouro, prata e bronze os brasileiros mais bonitos que concorreram em Pequim. Em uma disputa apertada, a equipe colocou no lugar mais alto do pódio o nadador fluminense Thiago Pereira - que dessa vez não ganhou nenhuma medalha. Também, o brasileiro precisaria derrubar o torpedo americano, Michael Phelps!Para a prata, o judoca paulista Leandro Guilheiro - que, em Pequim, conquistou a medalha de bronze em uma luta de apenas 23 segundos. O judoca de 25 anos ainda entrou para a história por ser o primeiro brasileiro a conquistar duas medalhas em duas Olimpíadas consecutivas. Merecidíssimo.No bronze, outro deus das piscinas: César Cielo. Mesmo com o terceiro lugar no quesito beleza, o paulista não tem motivos para tristeza. Ele ganhou o único ouro brasileiro em natação olímpica e ainda virou herói nacional. Dessa vez, o Brasil brilhou pela beleza!

Quando os palhaços falam sério

O Branco e o Augusto. Nessa dupla clássica de palhaços um é o sisudo, o sabe-tudo; o outro, o desajeitado simpático, o que sempre apanha. Fundadores da Cia. La Mínima, Domingos Montagner e Fernando Sampaio são grandes representantes dessa dualidade cômica. Quem viu o espetáculo À La Carte pôde comprovar. E seu mais recente trabalho, A Noite dos Palhaços Mudos, inspirada na obra do quadrinista Laerte, recebeu quatro indicações para o Prêmio Shell, entre elas duas na categoria ator, para ambos.

Há algum tempo eles se deram conta de que a dupla de palhaços tinha aspectos semelhantes à dualidade de um outro clássico, da literatura, O Médico e o Monstro, romance de Robert Louis Stevensen (1850-1894). E se empenharam na ousada empreitada de levá-la para o palco. Buscaram aliados. Para realizar a adaptação, chamaram Mário Viana e para a direção, Fernando Neves, filho de tradicional família circense, ator e diretor da premiada Cia. Os Fofos.

Tinha tudo para dar certo. E deu, a julgar pela pré-estréia acompanhada pelo Estado na segunda-feira. A partir de hoje, O Médico e os Monstros entra em cartaz no Teatro do Sesi Paulista, em temporada grátis voltada, sobretudo, para o público adolescente. Faz todo sentido. "O adolescente é um ser partido ao meio e isso sem estar formado", diz Mário Viana. "A essência do original é mostrar que o homem tem o bem e o mal dentro dele e tem de aprender a equilibrar essas forças.
O grande barato é que o monstro é também atraente, ouve iPod, tem pontos de identificação.""A dualidade é tema pertinente. Adolescência é tempo de dúvidas de comportamento; da difícil decisão para que lado ir", diz Domingos Montagner. Drogas, violência, sexualidade são temas tratados. "O jovem detesta meias palavras, temas velados", diz Mário Viana. "Peça para jovem não é infantil com mais palavras, tem de levar em consideração a vivência desses espectadores", enfatiza, Viana. "Dr. Jekyll comete o erro de querer isolar o seu lado sombrio em vez de aprender a lidar com ele", diz Montagner.

Ocorre com esse romance de Stevensen o mesmo que com o Frankenstein de Mary Shelley: a imensa maioria dos mortais só os conhece por meio das versões cinematográficas. Mário Viana era um deles. Ao receber o convite, passou a ler todos os livros do autor. E descobriu um romance árido, sombrio, uma espécie de relatório sobre uma investigação. "Há muita semelhança com Frankenstein", observa Montagner. "Ambos falam da vaidade do cientista e alertam contra os perigos do mau uso do conhecimento."Como boas adaptações não se fazem com excessiva reverência, Mário Viana inspirou-se também em adaptações para cinema, quadrinhos e até desenho animado. Como o leitor pode conferir no quadro ao lado, tal pesquisa resultou em citações diretas num texto cheio de humor.
Fernando Neves contribuiu com uma direção dinâmica, que remete às "entradas" circenses. Em cena, ainda, personagens como as dançarinas de cabaré, vividas por Carol Brada, também figurinista, e Keila Bueno, que ainda interpreta a noiva do Dr. Jekyll. Fábio Espósito é o hilário mordomo e Cláudio Carneiro, o advogado.

FONTE: ESTADÃO